sábado, 2 de fevereiro de 2013

Pequenos leitores

Todos os dias temos motivos para diminuir nossa fé na humanidade. As notícias ruins chegam de todos os lados. Por isso resolvi escrever sobre um fenômeno que, ao contrário, só traz esperança. O surgimento de uma geração de pequenos e bons leitores.

A leitura na educação infantil está em alta. Existe um incentivo constante para que crianças, na faixa etária de zero a seis anos, tenham acesso a livros e ao mundo da literatura através de títulos atrativos, contação de histórias e espaços dedicados. Percebo essa tendência de maneira bem clara no meu entorno e, acredito, ela é bastante abrangente.

Qualquer livraria que se preze tem uma área reservada às crianças. E nem poderia ser diferente, já que em 2012, segundo a Associação Nacional de Livrarias (ANL) a literatura infantil só perdeu, em volume de vendas, para os livros religiosos. E esse protagonismo vem se consolidando, de acordo com a mesma pesquisa, desde 2009.

As escolas infantis também ajudam, pois investem em projetos específicos sobre obras infantis, enviam exemplares todos os finais de semana – com o intuito de garantir a leitura em família – e encenam peças de teatro baseadas nos livros lidos em sala de aula.

Soma-se a isso, a insubstituível leitura ao pé da cama. Hábito de vários pais e mães que, como eu, acreditam que ler um livro para o filho, ou filha, antes de dormir, traz benefícios dos mais variados. Além de oferecer o prazer da leitura e o universo lúdico das estórias infantis, ler para uma criança fortalece os laços afetivos, cria um momento de intimidade e relaxa tanto o ouvinte como o cuidador que está lendo. 

Com a popularização do livro infantil, surge uma ótima opção de presente. Sim, titios, madrinhas, vovós, são, da mesma forma, fundamentais na formação dos pequenos leitores. E aí vai uma dica importante: antes de presentear com um livro, principalmente se for destinado a uma criança, leia-o antes de comprar!

Explico-me. O crescimento da demanda fez surgir uma enormidade de títulos e, verdade seja dita, nem todos são bons ou se encaixam no perfil de determinadas famílias. Eu mesma já comprei gato por lebre e joguei no lixo uma linda coletânea de contos infantis, ricamente ilustrada, com histórias sem pé nem cabeça.

Os valores devem, igualmente, ser levados em consideração na hora de decidir por um título ou outro. Cuidado com as gafes culturais. Alguns duvidam, mas existem pessoas que não são cristãs (portanto, se faltar intimidade ou conhecimento, não presenteie com a bíblia para crianças). Há, por exemplo, aqueles que prezam por uma educação menos sexista (como essa mãe que vos escreve) e aí todo cuidado é pouco com os manuais de etiqueta, corte, costura e similares para meninas que ainda não saíram das fraldas. O inverso também vale. Evite impor um pensamento ou valor que não faça parte da realidade daquele grupo familiar. Qualquer obra que fuja radicalmente da linha de pensamento dos pais vai acabar empoeirado no fundo da estante.

Como sugestão, alguns livros que considero boas compras e não são badalados. Os que se seguem foram testados e aprovados por uma leitora exigente, minha filha de três anos. A maioria reúne qualidade e bom preço. Outra dica antes de comprar um livro infantil: compare os preços e não descarte nunca os sebos. Boas histórias não envelhecem.

O que fazem os peixes? – Baby Einstein
Um dos primeiros livros da Teresa. Praticamente sem história, ideal para os novinhos de até 18 meses. Eles adoram as luzes e sons. Os pais podem acompanhar o desenvolvimento do bebê de acordo com as respostas dadas às perguntas do livro.


Contos dos Sonhos – Ed. Fapi
Despretensioso, histórias curtas, bem lúdicas e relaxantes. Funciona muito bem até os dois anos.


 Lindara – Sonia Rosa – Ed. Nandyala
Ótimo texto, trabalha bem a superação de obstáculos na infância. A protagonista negra foge do padrão, branca, loira, olho azul que, infelizmente, povoa a literatura infantil.



Chapeuzinho Amarelo – Chico Buarque – Ed. José Olympio
Clássica história sobre superação do medo. O livro faz parte da Coleção Itaú de livros infantis, distribuída anualmente pela Fundação Itaú Social. Aliás, uma iniciativa de tirar o chapéu. Se você não conhece, confira.



Quando eu crescer – Anne Faundez – Ciranda Cultural
Mais uma protagonista negra e fantástica. Estimula a autonomia e a liberdade das crianças.


A curiosidade Premiada – Fernanda Lopes de Almeida/Alcy Linares – Ed. Ática
Esse livro já é voltado para crianças um pouco mais velhas, a partir de três anos. Mas é uma brincadeira deliciosa com a famosa fase dos porquês.



O ratinho, o morango vermelho maduro e o grande urso esfomeado – Don e Audrey Wood – Brinque-Book
Mais um livro que chegou via Coleção Itaú de livros infantis e conquistou nossa leitora. Sutil, bem elaborado, é uma ótima pedida para apresentar aos pequenos a ironia e um humor mais refinado.


4 comentários:

  1. Não tem como te seguir pelo Facebook?

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  2. Lud!

    Eu acho que no "Ratinho" a história do urso é só pra comer morango, né?

    =P

    Tem um outro livro lindo da dupla, "O Rei Bigodeira na sua banheira" que é ótimo também!

    Adorei "Lindara" e "Quando eu crescer"... estão na listinha para o Tomás.

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    1. Sharon, isso mesmo, tem urso nenhum. A Teresa adora isso, fica procurando urso, rindo, é uma gracinha. ;-)

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